LUA EXTRAVAGANTE - Biografia

Constituído por Filipa Pais, Vitorino, Janita e Carlos Salomé, Lua Extravagante começou por ser um grupo, depois de um espectáculo, e finalmente um disco.

O grupo surgiu da colaboração entre os irmãos Salomé e, numa primeira fase, Pedro Caldeira Cabral. Foi com ele que, segundo Vitorino, “fizemos as primeiras experiências de utilização da viola campaniça na execução de modas alentejanas, no seguimento da tradição de usar instrumentos como acompanhamento ao cantar em convívios ou pequenas festas.”


A convicção de fazer um projecto em que o papel dos vocalistas seria mais importante levou a que fossem convidadas vozes femininas; “Falámos então com a Filipa Pais e a Teresa Salgueiro para participarem no grupo. (…) A Teresa apesar de interessada, mostrou-se indisponível pois os Madredeus absorviam-lhe toda a capacidade de intervenção. A Filipa, que já por diversas vezes tinha colaborado connosco em discos e espectáculos, aceitou.


Assim, e ainda com o Pedro Caldeira Cabral demos nome ao grupo e desenvolvemos o projecto para a apresentação ao vivo”.


O nome Lua Extravagante surge então da associação do termo Lua – mater (mãe), evocativo da noite e da criação, com o termo extravagante, tirado de uma moda alentejana que assim chama o cantor da noite.


Depois de, uma nova fase convidaram José Peixoto “para experimentar outras sonoridades pois parecia muito estático o som das origens”, surgem os concertos do Tivoli, integrados nas Festas de Lisboa – 90 e posteriormente transmitidos pela RTP.


É no seguimento desses concertos que são abordados pela EMI – Valentim de Carvalho para transformar Lua Extravagante num disco. Com esse fim surge a introdução de sintetizadores e violas por Vasco Gil e Sérgio Mestre, tendo este último ficado tão ligado ao projecto que viria a assumir a produção do trabalho discográfico.


Lua Extravagante aparece assim como um disco amadurecido, onde temas como “Adeus Ó Serra da Lapa”, “Ilha”, reflectem o destaque dado às vozes e à criação de ambientes evocativos da paisagem ibérica. Segundo Vitorino, “tentamos dar a este disco uma dimensão ibérica, primeiro, e universal depois, de maneira a que um ouvinte não português tire prazer da escuta do nosso som.”


Descobrimos assim arranjos despojados, acústicos e vocalizações surpreendentes, especialmente pela voz de Filipa Pais, a revelação deste projecto: “A Filipa tem uma voz lindissima, e foi nossa preocupação dar um destaque especial à sua e às nossas vozes, assumir o retomar do gosto simples pelo cantar.”