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Matias Damásio - Biografia

Matias Damásio veio de Benguela à procura de melhores condições de vida. Chegou a Luanda, viu e venceu. Esta foi a sina de um menino que procurou perseguir o seu sonho e hoje é uma das figuras mais prestigiadas da cena musical.

A sua primeira oportunidade profissional surgiu em 2002 quando, entre os quinhentos candidatos do concurso de karaoke Estrelas ao Palco, ficou entre os finalistas, imitando o cantor brasileiro Belo com a música "Mel na minha boca". Esta foi a chave que abriu a primeira porta para o sucesso. "Outras" se seguiram. Desde então Matias Damásio arrecadou o primeiro lugar em vários concursos e recebeu numerosas distinções tais como Gala à Sexta-Feira, Canção Cidade de Luanda, Variante 2003, Prémio canção da LAC, Prémio Figuras e Negócios, Top dos Mais Queridos e Top Rádio Luanda.

 

Sexta-feira negra

Mas a trajectória musical de Damásio não foi como um conto de fadas. Houve armadilhas e dissabores. Nos testes de selecção do concurso de música Gala à Sexta-Feira a "estrela" não passou nos testes de selecção, sendo relegado para os suplentes. Foi uma grande decepção. Matias chegou a pensar que era um fracasso como músico e o melhor seria encontrar outra profissão. Para felicidade do cantor, um dos seleccionados renunciou à participação e Matias saltou para o palco principal, acabando por vencer o concurso. O mundo do espectáculo está repleto de histórias assim. Por vezes, a nossa carreira futura, joga-se num simples acontecimento fortuito como este. No caso de Damásio a história teve um final feliz.

 

 O CAMINHO DA VITÓRIA

Mas não se julgue que foi apenas sorte. Matias Damásio define-se como sendo uma pessoa extremamente empenhada no trabalho. "Por vezes, dedico mais tempo ao lado profissional do que ao facto de ser pai. Gostaria que fosse o contrário. Sou muito exigente comigo mesmo. Mas não esqueço que a família é a minha maior fonte de inspiração", revela.

 

Casado, pai de dois filhos, Matias Damásio já lançou duas obras discográficas de sucesso: Vitória e Amor e Festa na Lixeira. A gravação do primeiro disco surgiu como um prémio por ter ganho o concurso Variante (concurso da música popular angolana), representando a província de Luanda depois de ter ganho o concurso Canção de Luanda. "Decidi dar o nome de Vitória ao meu primeiro disco em virtude de ter vencido todos os concursos de música nacional em que participei", diz.

 

COM NHA LISANDRA...

O primeiro disco de Matias Damásio foi gravado em Angola nos estúdios do Beto Max e do João Alexandre. O segundo foi gravado em vários países - Portugal, Espanha, França e Angola -, em homenagem ao velho e animado bairro da Lixeira (Benguela) onde nasceu. Sobre a participação da falecida Nha Lisandra no primeiro disco Matias, declarou "apresentaram--me a Nha no estúdio do Beto Max quando gravava a musica Mãe Querida. Era uma pessoa super simpática e comunicativa. Disse-me que gostaria de participar na música. Os dez primeiros segundos foram suficientes para me convencer. Foi essa participação que determinou o sucesso do CD.", confessa. "Lisandra tinha muito talento, uma voz muito bonita. Foi pena a forma violenta como a perdemos. Foi muito difícil não só para mim mas para todos os que a conheciam e ouviram a música. Perdemos aquela que seria uma das melhores cantoras do país. Neste meu último CD fiz uma homenagem a ela no texto de dedicatória. Disse que nunca nos vamos esquecer da voz da Nha Lizandra", sublinha.

 

... E O "IRMÃO" KONDE

Matias Damásio e o cantor Konde, autor de sucessos como Katia e Também me Amavas, são contemporâneos. Eles tiveram carreiras paralelas e são grandes amigos pessoais. "Eu e o Konde cantávamos em dueto, fazíamos animação em bares, festas e restaurantes. Foi uma fase muito boa onde pudemos ganhar muita experiência como músicos. Só não gravámos discos juntos porque sentimos que os nossos projectos não tinham nada haver um com o outro. Apesar de sermos muito amigos, a nossa linha musical não se identificava. Mas estamos disponíveis incondicionalmente um para o outro. Tanto ele como o Daniel Dimbulukene fazem parte da minha trajectória". O CAMINHO DA VITÓRIA.

 

O cantor revela aliás, que tem uma relação saudável com os demais músicos da "praça", algo que é cada vez mais raro. "Dou-me bem com todos, desde os kuduristas aos rappers. Tanto respeito os músicos infantis como os mais kotas. Sou uma pessoa super à vontade. Não crio problemas e gosto de aprender com todos", justifica.

 

A ESTRELA DA LIXEIRA

Amor e Festa na Lixeira é o segundo disco do artista composto por catorze faixas musicais, foi gravado na Rádio Vial (Luanda) em Portugal, Paris e Espanha, com a produção de Heavy C, Quintino, Fredy e George Servantes que misturou as músicas em Portugal. O álbum teve a participação especial dos músicos Dina Santos e Santa Cruz, uma cantora cubana que vive na Europa e que faz dueto com o autor na versão de "Porque".

 

Questionado se Amor e Festa na Lixeira saiu na altura certa frisou, "Tudo correu de acordo com o planeado - os produtores, os músicos, a data de lançamento, a campanha de divulgação. Só não planeamos aquela confusão que houve no Cine Atlântico durante a venda" (risos).

 

Recorde-se que, nessa altura, foram editadas dez mil cópias que se esgotaram nas primeiras horas do dia de lançamento. A produtora reeditou mais 25 mil cópias que, segundo o músico, estão a esgotar-se. "Creio que em Fevereiro teremos 35 mil cópias vendidas. Se assim for voltaremos a reeditar mais 15 mil cópias do disco".

 

CASA 70, CASA CHEIA

Amor e Festa na Lixeira foi apresentado oficialmente ao vivo nos dias 8, 9 e 10 de Janeiro na Casa 70, sempre com casa cheia. O músico recordou sucessos como "Porque" e "Saudades". O show teve a participação dos músicos Djamila Miranda estreante pela MD (Matias Damásio) Produções e o carismático Gabriel Tchiema interpretando temas do seu novo álbum."Um dia antes do show não havíamos vendido um quarto dos convites. As pessoas estavam cansadas devido à quadra festiva e muitas encontravam-se na ilha do Mussulo. Até ao dia três e quatro não havíamos vendido nenhum convite e o dia cinco foi tolerância de ponto. Logo tivemos apenas dois dias para ter sala cheia", orgulha-se Matias Damásio

 

AMOR E FESTA NA RUA

O lançamento de Amor e Festa na Lixeira noutras províncias do país será feito no mês de Maio - Cabinda ao Cunene e do mar ao Leste, numa excursão a nível nacional com banda, luz e som. Segue-se uma digressão durante um mês, a algumas cidades de Moçambique, passando por países como São Tomé e Cabo Verde. No regresso Matias Damásio brindará os fãs com mais um grande show ao vivo.

 

"A OUTRA" POLÉMICA

Em relação à polémica com a música "A Outra" Damásio alega que ao escrever a letra não quis premiar nem denegrir as mulheres tidas como a segundas esposas. A "outra" foi apenas alguém que lhe contou a sua história. "Como músico e artista não fiquei indiferente à situação e decidi estimular o diálogo sobre um facto que é patente na sociedade", argumenta.

 

A música foi, como se sabe, vetada em algumas rádios. "Aproveito a oportunidade para pedir desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas pois não tive a intenção de atingir ninguém, mas sim de transmitir uma mensagem, da forma mais natural e simples possível, para que as pessoas pudessem reflectir e abordar o tema das segundas esposas", justifica.

 

AMADO EM SÃO TOMÉ

Galardoado pela Rádio Nacional de São Tomé como "melhor músico estrangeiro" e a "melhor música do ano de 2008" com a faixa "A Outra", o autor orgulha- -se pelo facto das músicas angolanas estarem a ser ouvidas além fronteiras e da recepção calorosa que tem recebido durante as suas digressões pelo estrangeiro. "Agradeço aos fãs de São Tomé e dos países de língua portuguesa em geral, por esse reconhecimento ao meu trabalho", afirma.

 

Acrescentou, "a música em Angola está em grande crescimento com bons artistas e produtores. Hoje 80% das músicas que se ouvem nas rádios locais são angolanas. Há um maior interesse dos media nos grupos nacionais, os cachets subiram, vendem-se mais CDs. Creio que em Angola já se vive da música. Tudo isso é um fruto da paz que influencia a nossa vida a nível social e económico. Hoje temos estradas boas, mais companhias de aviação, mais jornais, cadeias de televisão, e boas revistas como a vossa. A música angolana está de parabéns", diz.


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