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Presente em alguns momentos-chave da Música
Popular Portuguesa (por exemplo o célebre concerto de Março
de 1974, no Coliseu), Vitorino foi companheiro de palco e canções
de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Fausto, Sérgio
Godinho e outros nomes fundamentais da música portuguesa dos últimos
trinta anos, estreando-se em 1975 com o seu primeiro disco assinado com
nome próprio, editado num dos periodos de maior agitação
social da História recente de Portugal. "Semear Salsa Ao Reguinho"
foi logo considerado, apesar das condicionantes existentes na época,
um ponto de referência na redefinição de padrões
estéticos e caminhos que a música popular viria a trilhar
a partir do meio da década de 70. Nesse primeiro disco estava incluída
a canção que se viria a tornar o seu êxito/emblema
mais famoso, transformando-se numa das canções mais importantes
e divulgadas do imaginário colectivo português - "Menina
Estás À Janela".

Viajante de palavras e de terras, Vitorino esteve ligado a um dos mais
genuínos registos da música do Alentejo, o disco do Grupo
de Cantadores do Redondo. Às 'bases' naturais, adicionou um acumulado
de experiências que passavam pelas serenatas em que participou,
pelas peregrinações 'hippies', pela vida de Lisboa onde
se fixou a partir dos 20 anos, pelas temporadas passadas em diversas cidades
europeias e outros locais mais remotos, pelos contactos proporcionados
por combates políticos e estilos de vida que, ainda hoje, o associam
à noite, às tertúlias e aos prazeres boémios.
A linha mestra condutora dos seus dois discos posteriores "Os Malteses"
e em "Não Há Terra Que Resista - Contraponto"
não se alterou substancialmente. Já no disco "Romances",
trabalho de 1980, abre-se de par em par outra das suas frentes preferidas:
a recolha de música tradicional que transforma, molda à
sua voz e aos seus padrões criativos. Este disco acabou por se
tornar num dos mais importantes álbuns editados na época
onde as preocupações com a preservação do
nosso ameaçado património musical tradicional, imprescindível
à nossa identidade nacional, se afirmavam presentes. Foi igualmente
fundamental para o excelente resultado final de "Romances" a
participação do multi-instrumentista Pedro Caldeira Cabral
que marcou este trabalho com o seu virtuosismo e inspiração.
A coerência foi-se mantendo com o decorrer dos anos, mesmo quando
os caminhos e estilos musicais escolhidos por Vitorino eram naturalmente
alargados. "Flor de La Mar" será novamente um trabalho
marcante a todos os títulos, chegando o seu autor a explanar uma
variedade de acompanhamentos instrumentais que rompia com os limites habituais
da 'canção de palavra' nacional. Nesse período, surgiu
outra das canções que ajudou a definir a categoria e a atitude
de uma carreira - canção chamada "Queda do Império".
Em 1984, com "Leitaria Garrett", outra experiência bem
sucedida, Vitorino reafirmou o seu amor e cumplicidade com Lisboa, pelas
tradições ameaçadas, por uma série de comportamentos
em extinção e vítimas de um 'progresso' cego e desumanizador
da cidade, por figuras e sítios que as novas 'condições
de vida' fizeram desaparecer. Desde a canção-título
à "Tragédia da Rua das Gáveas", Vitorino
conduz uma viagem pela capital de que todos sentem saudades, mesmo os
que nunca tiveram hipótese de a conhecer realmente.

"Sul" e "Negro Fado" serão outros tantos passos
em frente na construção de uma obra que não tem pontos
baixos e que sempre foi considerada de vanguarda, onde pontificaram trabalhos
com raízes distintas e múltiplas colaborações,
como por exemplo o trabalho sobre um tema musical de António Pinho
Vargas ou as experiências realizadas a partir de formas musicais
quase inesperadas (as mornas, as marchas populares, o 'reggae'). Vitorino
teima em não perder o norte, em arriscar sempre. Formalmente, algumas
das suas grandes aventuras chegariam ainda mais tarde.

Na continuidade ao seu gosto pelos os grupos, Vitorino aparece com a formação
de "Lua Extravagante", nome por que responde a partir de 1990
o quarteto formado com Filipa Pais e os seus irmãos Janita e Carlos
Salomé. O sucesso que este grupo rápidamente alcançou
motivado pelo seu reconhecido valor artístico e importância
do seu trabalho, permitiu a divulgação de algum do nosso
património musical e a concretização de contactos
e projectos com uma posterior geração de músicos
que, sendo membros de alguns dos mais importantes grupos de pop e rock
da actualidade, não recusaram participar em alguns projectos de
muito interesse artístico.

Em 1992 segue-se nova surpresa. "Eu Que Me Comovo Por Tudo E Por
Nada", é escrito, exceptuando uma nova versão de "Marcha
de Alcântara", por António Lobo Antunes; ficcionista
consagrado, ficou responsável pelas letras do novo álbum
deste seu amigo. Lobo Antunes, com letras agridoces, retrata uma Lisboa
que se perdeu e vidas que se perdem. Vitorino responde a rigor: compõe
melodias em compasso de dança - do tango à valsa, do bolero
ao mambo, onde não falta uma canção de embalar. Os
arranjos são confiados a João Paulo Esteves da Silva que
se rodeia de instrumentos de Música Clássica numa formação
de Câmara.
Unânimemente reconhecido pela crítica e pelo público,
o elevado grau de qualidade artística e de produção
alcançado na transposição do disco "Eu Que Me
Comovo Por Tudo E Por Nada" (álbum vencedor do Prémio
José Afonso/93 e do Se7e de Ouro/92 para Música Popular)
para o palco, resultou da atitude desde sempre interessada e empenhada
utilizada por Vitorino nos projectos em que participa, nunca prescindindo
da sua total independência e autonomia criativa. As suas assumidas
e sempre presentes raízes alentejanas são uma marca que
parece surgir do 'fundo dos tempos', nunca deixando Vitorino de lhes acrescentar
um 'toque' de modernidade e de as enriquecer com o culto da poesia e da
palavra.

Em finais de 1993 é editada a compilação "As
Mais Bonitas" que reunindo os grandes êxitos da sua carreira
alcança vendas espectaculares, ultrapassando o galardão
disco de platina.

1995 traz-nos uma nova incursão pelo mundo cativante de Vitorino.
"Canção do Bandido", editado a 14 de Novembro,
a exemplo do seu último trabalho de originais, tem António
Lobo Antunes como responsável pelas letras, à excepção
de "Fado Triste", "Tocador da Concertina" e "Cruel
Vento", cujos créditos se devem a Vitorino. Uma das notas
marcantes deste disco é que dos seus 13 temas, boa parte são
fados. Vitorino explica: "Os textos na sua maioria chamam-se fados,
que neste caso reportam a histórias do quotidiano; as personagens
com que nos cruzamos diariamente, que se deslocam para os centros urbanos,
quer seja para trabalhar, quer seja para passear, como fazem os reformados.
Os ambientes (os tiques) são de fado, quer nos textos, quer nas
músicas. " E acrescenta: " é um disco muito visual,
fílmico. Tem um ou dois heróis, mas o resto são anti-heróis.
É um álbum mais lírico do que triunfal."

Em 1999 grava em Cuba um disco de Boleros com o Septeto Habanero que tem
por título La Habanna 99. O projecto resultou do encontro
durante a EXPO 98 entre o cantor do Redondo e uma das mais míticas
formações da música popular de La Habana. Este CD
foi um grande êxito, vendido cerca de 40.000 cópias. Os espectáculos
resultantes deste trabalho foram tamb´šem um grande sucesso nos
anos 200 e 2001, tendo Vitorino e o grupo Septeto Habanero realizado inúmeros
espectáculos de norte a sul do país.

No ano de 2001 é lançado o seu último trabalho de
originais, intitulado Alentejanas e Amorosas. É um
CD no qual Vitorino apresenta uma colecção de excelentes
canções e que em mês e meio alcançou mais de
10.000 cópias vendidas, ou seja Disco de prata.

Já nos finais de 2002 Vitorino lança As mais bonitas
2, um disco que reúne alguns dos seus maiores êxitos
como Desde el dia en que te vi, O dia em que me queiras
e Alentejanas e amorosas.

DISCOGRAFIA:
1975 - "SEMEAR SALSA AO REGUINHO"
1977 - "OS MALTESES"
1979 - "NÃO HÁ TERRA QUE RESISTA-CONTRAPONTO"
1980 - "ROMANCES"
1983 - "FLOR DE LA MAR"
1984 - "LEITARIA GARRETT"
1986 - "SUL"
1988 - "NEGRO FADO"
1990 - "CANTIGAS DE ENCANTAR"
1991 - "LUA EXTRAVAGANTE" com Filipa Pais, Janita e Carlos Salomé
1992 - "EU QUE ME COMOVO POR TUDO E POR NADA"
1993 - "AS MAIS BONITAS"
1995 - "CANÇÃO DO BANDIDO"
1996 - "RIO GRANDE" com Rui Veloso, Jorge Palma, Tim e João
Gil
1997 - "DIA DE CONCERTO" com Rui Veloso, Jorge Palma, Tim e
João Gil
1999 - "LA HABANA 99" com Septeto Habanero
2001 - "ALENTEJANAS E AMOROSAS"
2002 AS MAIS BONITAS II

MÚSICA PARA TEATRO:
- "PRETO NO BRANCO" - A BARRACA
- "ARMA BRANCA" - A BARRACA
- "VIVA LA VIDA" - A BARRACA
PARTICIPAÇÃO COMO ACTOR NOS FILMES:
- CONDE MONTE CRISTO
- MISTERIOSO DR. OCTOPUS
- THE DARKNESS OF THE EARTH
- A HERDEIRA
- A MOURA ENCANTADA
BANDAS SONORAS:
Telenovelas
ESTAÇÃO DA MINHA VIDA
ANJO SELVAGEM
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